Fiquem de olho neste evento do IDEC sobre a Reforma da Lei de Direito Autoral , que ocorrerá no TucaArena hoje.
Infelizmente, o evento não é propriamente um debate, pois só vai trazer expositores que já tem uma opinião pré-estabelecida sobre o tema. Aliás, todos são ótimos expositores, muito preparados, oo que desde já vale a presença no evento.
Alguns poucos destes palestrantes, além do discurso politizado, são experts em militância ideológica. Alguns com um discurso bem treinado e até bastante propensos a defender a teoria da estatização do Direito Autoral que podemos ter lançada no Brasil (cuja base não faz sucesso nem nos EUA – onde nasceu, mas faz sucesso em outras escolas, como a boa tradição petista de saber articular luta social, luta ideológica e luta institucional).
Falta um pouco mais de confronto nesses eventos. Os autores, creio eu, quase nenhum foi convidado para debates na “TucaArena”. E sobre os que foram, pairaram suspeitas semana passada na twittosfera- que acho infundadas – via Blog do Noblat sobre um favorecimento so artista em eventos governamentais.
Quem for ao evento, atenção com o doutrinamento das visões que costumamos chamar de “oficiais”. Nem tudo que disserem sobre o fim da propriedade intelectual, que no mundo inteiro essa corrente está ganhando adeptos, é uma verdade absoluta ! Aos autores, lembrem-se que, se a nova lei autoral passar como está, um candidato político poderá até usar sua música em uma campanha para deputado, governador ou até presidente, sem precisar lhe pedir autorização ou lhe remunerar.
Um texto publicado pela Dra. Marisa Gandelman, do qual não achei citação para link, diz tudo :
“Ao ler o texto do anteprojeto percebemos que autores, titulares de direitos autorais, bem como nós todos que nos dedicamos à defesa dos interesses dos titulares que representamos e tiramos do sistema de gestão coletiva o nosso sustento honestamente, somos tratados como vilões, como egoístas que só olham para seus próprios interesses de forma inescrupulosa e para o prejuízo do público.Mentiras covardes que soam como música nos ouvidos de todos aqueles que querem ter acesso às obras criadas pelos autores, porém, julgam ser desnecessário, ou até mesmo condenável, remunera-los por isso.”
Vocês que estáo indo, ou foram no evento do IDEC, pensem nisso. Talvez ninguém fale lá sobre a necessidade de uma remuneração justa aos autores. Digam que isso é pra depois. Mas agora vale só o que o Estado quer. E isso inclui criar uma autorização “não-voluntária”, contra o desejo do autor e em flagrante dissonância com a determinação constitucional de que “ aos autores pertence o direito exclusivo de utilizar suas obras”.
E eu que nunca fui convidado para estes eventos bacanas, de qualquer dos lados,(pois sou contra as teses das 2 correntes) verei pelo streaming mesmo e enviarei minhas opiniões aqui pelo blog e via twitter !!
